A Crise no Iêmen e as Implicações para o Conselho de Cooperação do Golfo
- nuprima

- 1 de jan.
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Rafael Firme
Em 2 de dezembro de 2025, a "Operação Futuro Promissor" alterou drasticamente o equilíbrio de forças no Iêmen, quando o Conselho de Transição do Sul (CTS) conquistou a cidade de Seiyun, em Hadramaut. Esse avanço consolidou o controle do CTS sobre o sul e o leste do país, contando com o apoio estratégico e logístico de seu parceiro de longa data: os Emirados Árabes Unidos (EAU).
Como um reflexo da Primavera Árabe, a Guerra Civil no Iêmen começou em setembro de 2014, quando o grupo Ansar Allah (Houthis) tomou a capital, Saná. Em março de 2015, uma coalizão liderada pelo Reino da Arábia Saudita interveio no conflito com dois objetivos: restaurar o governo de Abdrabbuh Mansour Hadi, que partiu para o exílio naquele mesmo mês, e evitar que o Irã, ao apoiar os Houthis, ameaçasse os interesses do Reino.
Hadi permaneceu como a face do governo iemenita reconhecido internacionalmente até 2022, quando transferiu seus poderes para o Conselho de Liderança Presidencial (CLP). Contudo, o CLP é um combinado de facções com interesses conflitantes, incluindo o próprio CTS, de viés separatista. Enquanto Riade prioriza a unidade nacional sob o CLP, Abu Dhabi sustenta o projeto do CTS de restaurar o Iêmen do Sul, extinto após a unificação em 1990.
Ao lado do Catar, Arábia Saudita e EAU formam o núcleo de poder do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), fundado em 1981 para integrar as monarquias do Golfo Árabe. Entretanto, o teatro iemenita tornou-se o mais novo palco de uma cisão intrabloco. O CCG já enfrentou rupturas graves, como o bloqueio ao Catar entre 2017 e 2021, motivado pelo apoio de Doha à Primavera Árabe — postura que contrariava os interesses de Riade e Abu Dhabi.
O ápice da crise atual ocorreu em 25 de dezembro de 2025, quando os sauditas ressaltaram que as movimentações do CTS em Hadramaut e Al-Mahrah não foram aprovadas pelo CLP. Na madrugada do dia 30, Riade bombardeou o porto de Mukalla para interceptar armamentos emiradenses. Em resposta, os EAU anunciaram o encerramento de suas missões antiterroristas no Iêmen, reiterando que sua presença militar formal havia terminado em 2019.
A rivalidade saudi-emiradense no Grande Oriente Médio não é novidade. Além do Iêmen, Arábia Saudita e EAU disputam influência em conflitos na Líbia, no Sudão e na Somália. Soma-se a isso a divergência diplomática em relação a Israel: enquanto os EAU são signatários dos Acordos de Abraão, a Arábia Saudita ainda condiciona o reconhecimento oficial do Estado judeu ao estabelecimento de um Estado palestino.




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